16 de jul. de 2025

Me, mim, comigo

Eu, eu, eu, eu, eu... sou extremamente egoica, ensimesmada, autocentrada, beirando o narcisismo. Sou aquela pessoa da roda que mal espera o outro parar de falar e já quer interromper para falar de si, dar seu exemplo maior, mais relevante (ou não, mas seu). Levo (ou trago?) para o pessoal, me comparo, penso no que eu faria, me cobro por não ter sido minha aquela ideia genial.

Sinto culpa por ser assim. Educo meus filhos com certa vaidade para que sejam melhores que os filhos dos outros. Sob o risco de eles serem melhores do que eu. Mas esse risco eu encaro, pois o sucesso deles é meu também, e aí a soberba se retroalimenta.

Eu nunca gostei de competições. Nem de assistir, muito menos de participar. Antes eu dizia que não era competitiva. Depois descobri que sou é competitiva demais. A ponto de sofrer de maneira insuportável quando perco. Uma frustração desproporcional, acompanhada de um sentimento de inferioridade, inutilidade, exageradamente. E, por ser tão angustiante assim para mim, não compreendia por que as pessoas insistem em transformar tudo em competição.

É muito comum que um adulto, ao ver crianças brincando livremente, logo sugira alguma forma de competição. As próprias crianças vão sendo ensinadas a competir a todo momento. Querem brincar de correr? Pois vamos ver quem chega mais rápido. Querem subir no trepa-trepa? Quem chegará mais alto? Vamos acertar a pedrinha no buraco? Quem consegue acertar mais vezes? Vamos brincar de boneca? Bem... nesse caso as meninas podem apenas praticar a maternidade mesmo, não haverá reconhecimento por seu desempenho, deixe isso para os meninos.

Ok, com cinco ou seis retas concluímos que a origem disso está no capitalismo, e fim de papo. Ainda assim luto para extirpar na medida do possível as medidas de comparação do dia a dia. Quando elas são desnecessárias, indesejáveis, dispensáveis... como nos casos em que ficarei angustiada ou mesmo deixarei de progredir na vida pelos malefícios do vício incontrolável por me comparar e me diminuir.

Porque sofro este efeito colateral bem comum: as derrotas marcam muito mais que as vitórias. Isso quando as vitórias são assim reconhecidas. Mas prefiro chamá-las de conquistas, para que semanticamente representem mais superações pessoais que subjugação dos feitos de outrem.

Aí vem aquele clichê: compare-se consigo mesmo, e não com os outros. Como se resolvesse alguma coisa! Porque uma versão minha anterior certamente já foi mais corajosa, bela, audaciosa, magra, eloquente, confiante, saudável etc. etc. do que sou hoje.

Chega! Sou a versão mais jovem de todo o meu futuro. Sou uma versão mais sábia que todo o meu passado. Sou a versão mais apta a viver o único momento possível: o agora. E nunca fui tão consciente disso, embora insista em sempre me esquecer.

Por isso é bom escrever.

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