29 de out. de 2005

Ok, vim atualizar.
Estou com fome. Estou na casa do meu pai, provavelmente pela última vez neste endereço. Mudanças e mais mudanças. Quero fazer logo a minha.
Eu demoro pra postar, e sempre vem o mesmo pensamento: demorei um pouquinho e tanta coisa já aconteceu desde então...
Eu já trabalho na Manole há 3 anos e meio. O cenário lá exemplifica bem essa sensação que eu vira-e-mexe tenho, de que tudo pode mudar muito de um dia pro outro. Se for ver quem trabalhava lá quando eu entrei e quem está lá agora, garanto que serão poucas coincidências. E isso só reforça uma puta nostalgia que estou sentindo agora. Sentindo junto com o cheiro do desodorante dele que eu passei sem tomar banho, só pra disfarçar.
Quem era importante há cinco anos... nem lembro mais! Hoje vale quem existe nos últimos cinco dias, mesmo que eu tenha conhecido há mais tempo... porque pode mudar. Quem a gente pensa que é pra achar que pode fazer planos pra sempre? E por que tantas coisas imprescindíveis podem ser ditas e logo esquecidas por ambos os interlocutores? Que ódio disso!!!
E alguém fale pro meu pai parar de me chamar de Evinha? (nome da namorada dele)
Não quero fazer sentido hoje, assim como o dia não está fazendo.
Dei uma pausa no post pra jantar. Meu pai me ajudou a lembrar de algumas coisas da infância que minha memória não foi suficiente pra guardar. Quando eu era pivetinha, mudou-se para a casa em frente à minha uma família de ciganos. E não era uma família pequena não, coloca gente nisso! Na época eu não entendia por que meus pais não se aproximavam "daquela gente". Eu sentia que era preconceito, mesmo sem saber que tinha esse nome. Hoje eu entendo. Meu pai foi contando o que aconteceu com os vizinhos que deixaram os ciganos se aproximarem. "Aquela gente" era abusada, pedia tudo emprestado, e não devolvia depois. Pedia pra usar o telefone pra ligações internacionais, e tudo com uma familiaridade que deixaria qualquer um constrangido em negar. Mas tudo bem, pra mim era só preconceito.
Meu irmão sempre teve amigos meninos na rua, e eu não tinha nenhuma amiguinha... até que conheci duas ciganinhas: Mariana e Valéria. Elas eram tão legais... eu não entendia por que os amigos do meu irmão podiam brincar no quarto dele e as minhas amigas não podiam passar da garagem. Eu também não entendia por que elas, mais velhas do que eu (9 e 12 anos), não sabiam ler e escrever. Eu lembro que as ensinei a escrever seus nomes.
E o mais engraçado foi lembrar de uma velhota que passava 24 horas por dia sentada numa cadeira na frente da casa. Pra cada pessoa que passava na rua ela fazia "pssssssssiu! quer ler a mão?"
Se fosse hoje eu leria.

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